» Metade dos praticantes lesionam-se em academias.

Metade dos praticantes lesionam-se em academias.

Mudar a visão dos profissionais pode ser uma alternativa.

 

O conhecimento da ocorrência de lesões musculoesqueléticas em atividades que se tornam cada dia mais populares como a musculação, é de grande importância para que possíveis medidas preventivas sejam realizadas com maior efetividade. Oferecer um programa de exercícios seguro e objetivando a saúde é a razão de nós profissionais de educação física estarmos no mercado. A pesquisa publicada pela revista Saúde e pesquisa da Universidade Federal de Maringá, analisou 45 praticantes de musculação de 37 a 49 anos de idade, masculino e feminino. Em até 8 meses de prática foi constato que 44,4% dos praticantes haviam se lesionado durante a pratica de musculação. Outro estudo semelhante de Oliva et all (1998) identificam que 36% dos praticantes abandonaram a atividade e não tinham previsão de retorno após se lesionarem na academia. Em Belo Horizonte o estudo foi realizado por Rolla et all (2004) e os dados são alarmantes, 48% dos praticantes de musculação sofreram alguma lesão músculo-esquelética.

Vamos para os motivos:

Os estudos mostram as articulações do joelho, ombro e coluna como as mais afetadas.

Um outro estudo realizado na Universidade Estadual da Paraíba realizado por Silva (2010) relatou que 70% apresentaram algum tipo de lesão e os motivos são excesso de carga e exercícios mal executados.

Muitas vezes nós profissionais olhamos apenas o resultado do exercício que prescrevemos, observamos apenas a execução externa e não nos atentamos para o que acontece dentro das articulações. Podemos observar em todos os estudos que as lesões são provenientes dos ligamentos ou seja, estão relacionadas com as articulações. Observando os locais que mais sofreram lesões temos as articulações com mais possibilidades de movimentos como coluna, joelho, punho, ombro e cotovelo. Será que não estamos negligenciando o gerenciamento articular quando prescrevemos os exercícios? Tenho visto inúmeras pesquisas na área da educação física que procuram analisar quais exercícios são melhores para hipertrofia muscular, e o objetivo é descobrir se são os isolados ou multiarticulares. Observem que grande maioria das pesquisas na área da educação física visam resultados e performance. Será que as pessoas estão em busca de saúde ou performance? Será que esses praticantes toleram um treinamento onde o  o resultado é o mais importante e o caminho é irrelevante?

Os músculos  direcionam as articulações  para que elas façam seu papel de forma segura.  Se os músculos não forem treinados para executar a contração concêntrica e excêntrica, as articulações não estarão “seguras” e poderão ser prejudicadas. Para realizar o agachamento por exemplo, um exercício multiarticular, precisamos gerenciar inúmeras articulações. Será que um praticante que nunca treinou, não sabem nem sentir a diferença entre uma dor de contração muscular e desconforto articular, sabe gerenciar todas as articulações que fazem parte do agachamento?

Aquilo que não usamos, perdemos com o tempo.  É obvio que o agachamento fez parte da nossa infância, mas grande maioria das pessoas não utiliza esses músculos por um grande período de suas vidas e provavelmente a contração muscular foi perdida por falta de uso. Um indivíduo ter os músculos no corpo não diz que eles estão disponíveis para serem usados. Isso é neurologia. Um grande exemplo, é a síndrome da bunda morta.

O glúteo médio é importantíssimo para realizar o agachamento, se ele esta inibido a articulação do quadril será sobrecarregada no agachamento.

Já vi pessoas realizarem o leg press sem terem contração de quadríceps, o trabalho da musculatura isolada é importantíssimo para esse praticante por exemplo. Se ele não “treinar” o quadríceps isoladamente o desequilíbrio muscular será maior ainda e as articulações com certeza sofrerão grandes lesões que se tornaram agudas com o tempo.

Talvez mudar o foco da prescrição do exercício e das pesquisas melhorem a nossa atuação.

Não podemos considerar normal  um praticante buscar por saúde e acabar saindo “lesionado”.

 

Simone Albano.

Autora do Pilates – Metodologia Simone Albano.